Com os avanços exponenciais da tecnologia, aumentam também as dúvidas sobre como será o futuro do trabalho. Haverá empregos para as pessoas ou os robôs vão tomar o lugar dos humanos? Será o fim dos trabalhos tradicionais? Quais competências as empresas deverão avaliar em seus colaboradores para terem sucesso em seus negócios?
Para responder essas dúvidas e verificar como a tecnologia impactará o mercado de trabalho nos próximos anos, o LinkedIn, em parceria com a WGSN, consultoria global de tendências, realizou o estudo “O futuro do trabalho”. A pesquisa cruzou análises de comportamentos e tendências com dados de mercado e mostrou como as habilidades humanas e tecnológicas podem andar juntas e serem complementares no mercado profissional.
Será o fim do trabalho para pessoas?
O levantamento revela que desde “The End of Work” (de Jeremy Rifkin, 1995) o futuro parece amargo para o mercado de trabalho, pois foi quando a humanidade entendeu que a automação poderia substituir o ser humano em grande parte dos postos de trabalho conhecidos. Desde então, são feitas diversas pesquisas tentando prever as possíveis catástrofes de um cenário assim.
De acordo com o Diretor Geral do LinkedIn na América Latina, Milton Beck, ao longo das últimas décadas, pessoas e estudos diziam que a automatização do trabalho iria ocorrer e empregos deixariam de existir por conta disso. “A verdade é que temos visto cada vez mais o surgimento de empregos que dependem da tecnologia para existir, como o cientista de dados, por exemplo”.
Um estudo do Fórum Econômico Mundial (relatório Futuro do Trabalho), mostra que até 2020 o número de empregos perdidos para a tecnologia pode chegar a 7,1 milhões. Ao mesmo tempo, a pesquisa também revela que 65% das crianças que hoje estão no Ensino Fundamental terão empregos que ainda nem existem.
Em contrapartida, um levantamento do Gartner aponta que a inteligência artificial vai criar 2,3 milhões de empregos em 2020, enquanto elimina 1,8 milhões. Ou seja, o mercado ainda vai mudar muito e nos levar a lugares que não podemos imaginar.
O futuro do trabalho é humano
O estudo revela que a melhor forma de se preparar para esse novo mercado é estar atento às transformações que estão acontecendo agora e reconhecer nelas os “embriões do futuro”. Uma das descobertas do levantamento aponta que a Quarta Revolução Industrial tem revelado a importância das competências humanas para a gestão e a transformação do mercado de trabalho. Elas estão sendo colocadas no centro das tomadas de decisão tanto conscientemente, como é o caso dos parâmetros de recrutamento e seleção nas empresas, quanto intuitivamente, como a preferência das novas gerações por empresas mais transparentes.
O estudo identificou as 10 competências mais recorrentes nas tendências reunidas pela WGSN, que prometem definir os próximos soft skills exigidos pelas empresas daqui para a frente. Segundo a pesquisa, as habilidades serão visíveis em tudo o que envolve a vida profissional, desde a capacitação para entrada no mercado até a noção de sucesso e satisfação. São elas:
- Criatividade
- Colaboração
- Transparência
- Comunidade
- Compartilhamento
- Mindfulness
- Capacidade de experimentação
- Inteligência emocional
- Empatia
- Espírito empreendedor
Como chegar bem ao futuro do trabalho?
O estudo faz ainda uma série de recomendações para as empresas e profissionais que querem se preparar para o futuro do trabalho. Confira quais são elas:
– Só o ser humano pode construir cultura
Segundo o estudo, a inteligência artificial não vai substituir o profissional de RH, mas sim empoderá-lo. Quando uma empresa utiliza a tecnologia em um processo de recrutamento e seleção, por exemplo, ao dar conta da fase analítica, mais mecânica, a IA permite ao avaliador focar na fase estratégica e dar mais atenção à avaliação de competências interpessoais, que só um ser humano pode fazer.
A pesquisa revela que as empresas ainda precisam das pessoas para persuadir e negociar, para entender as necessidades dos candidatos e para construir comunidades e culturas. Paradoxalmente, o estudo mostra que quanto mais usamos a tecnologia, mais podemos investir no lado humano do trabalho. Embora ainda não seja fácil para um computador formar um vínculo com um gestor de contratação ou convencer um candidato a mudar de cidade, no futuro, a tecnologia vai melhorar e começará a se infiltrar nas tarefas mais avançadas, ampliando ainda mais as funções que o profissional de RH exerce hoje.
– Capital humano é o melhor investimento
O levantamento reforça que é preciso investir no desenvolvimento de talentos em todo o ciclo de vida útil e produtiva — por meio da educação e do emprego. Dados da pesquisa confirmam que a especialização e a capacidade do indivíduo se expandem à medida que ele começa a trabalhar. Segundo o estudo, deve existir uma divisão de responsabilidade entre as escolas com o mercado de trabalho, o que pode promover uma verdadeira revolução nos sistemas educacionais e nas tomadas de decisão das empresas.
– A tecnologia é humana
De acordo com a pesquisa, à medida que os humanos se tornam mais digitais, a tecnologia se tornará mais humana. O quociente emocional (QE) está emergindo como uma habilidade não só desejada, e sim essencial na vida profissional. Sabendo disso, muitas empresas estão investindo em treinamentos de funcionários para garantir isso.
O levantamento aponta que diversas pesquisas sugerem que muitos consumidores ainda preferem interagir com um atendente de vendas experiente quando visitam uma loja, por exemplo, onde a pessoa exerce influência significativa na satisfação do cliente. A inteligência artificial passará a ser vista como uma forma de ampliar as experiências do cliente, em vez de apenas remover os seres humanos de cada processo.
Gostou do tema? Quer saber como preparar a gestão de pessoas da sua empresa para esse cenário? Confira o ebook “O RH e a nova cultura digital” em que diversos especialistas falam sobre a revolução na gestão de aprendizagem organizacional, como atrair e reter talentos digitais e o papel do RH. Clique aqui para fazer o download gratuito do material.