Sustentabilidade do negócio na era exponencial: qual o papel do RH?

Data 09/07/2019
Jose Salibi - sustentabilidade do negócio na era exponencial

Com o surgimento de novas tecnologias e a demanda por maior velocidade nas entregas, as organizações estão recorrendo a ferramentas de automação e outros recursos na tentativa de garantir a sustentabilidade do negócio na era exponencial. Ainda assim, nem sempre elas conseguem se manter competitivas. Segundo pesquisa realizada pela consultoria Deloitte, em 2019, sobre os esforços das organizações relacionados à transformação digital, os planos de investimento são agressivos. De acordo com as respostas de 1.200 executivos sêniores, o orçamento voltado para essas ações deve aumentar em 25% na comparação com 2018.

Apesar da crescente aposta em novas soluções, a consultoria concluiu que o investimento não se traduz necessariamente em benefícios para as organizações. Para José Salibi, cofundador da HSM, e Sandro Magaldi, cofundador da meuSucesso.com, palestrantes da 45ª edição do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH), isso acontece porque a primeira mudança deve acontecer na cultura.

Levando ao evento o tema “O novo código da cultura: vida ou morte na era exponencial”, o cofundador da HSM, uma das principais empresas de educação executiva do Brasil, e o cofundador da meuSucesso.com, uma das principais plataformas focadas em empreendedorismo do país, pretendem esclarecer a diferença entre transformação digital e cultural, mostrando que a tecnologia não é exatamente a prioridade.

O futuro da organização e a transformação digital

Acontecendo de 13 a 15 de agosto no São Paulo Expo, o CONARH tem a humanização como tema em 2019. Partindo desse ponto, Salibi – que, além de ser coautor de best-sellers como “Movidos por Ideias” e “Gestão do Amanhã”, tem a obra “O Novo Código da Cultura” como seu mais recente lançamento – ressalta que só existe futuro para a empresa se a transformação digital começar pelo capital humano. “Nosso papel é dizer que se não for feita a mudança cultural não vai haver a tal transformação digital”, alerta.

Para isso, ele explica que é importante entender que fazer essa evolução no sentido da tecnologia não se limita a investir em digitalização de processos e nem deve começar por essa etapa. “Equipamentos e tecnologia são simplesmente instrumentos. São as pessoas que fazem as coisas acontecerem”, frisa.

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Mas enquanto o mundo corporativo vê grandes organizações que antes dominavam seus segmentos sucumbirem, Salibi explica que é necessário perceber com isso que as velhas fórmulas não surtem mais efeito. “Empresas consagradas que tiveram sucesso durante décadas simplesmente evaporaram como Nokia, Blockbuster, Kodak e inúmeras outras. Aqui no Brasil estamos vendo isso acontecendo também e nossa conclusão foi que, no mundo empresarial, o sistema de gestão mudou bastante, mas as pessoas não se deram conta disso”, afirma.

Diante desse cenário, o palestrante aconselha um rompimento com o passado sem que seja necessário começar do zero. “Na verdade, não é preciso abandonar tudo que foi feito, é preciso evoluir. Não é simplesmente esquecer tudo, é construir a partir do que já foi feito”, pontua.

Como o RH vai salvar a organização na transformação digital?

Nesse processo, segundo Salibi, o RH tem um papel importante que pode salvar o futuro da empresa frente ao avanço exponencial da tecnologia. No entanto, para começar a agir, a gestão precisa antes que o nível mais alto da organização esteja alinhado ao propósito de mudança.

Como Salibi explica, a transformação deve acontecer em efeito cascata, tendo nos Recursos Humanos um ponto chave de propagação.

O papel do RH é fundamental, mas é um papel muito mais operacionalizado do que realmente mentalizado. Quem tem que mentalizar a mudança de cultura é o presidente da empresa, o CEO. Se a mudança não vem de cima, o RH, por mais vontade que tenha, não vai conseguir fazer nada. A área atua como um parceiro do CEO nesse processo”, pontua Salibi.

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José Salibi, cofundador da HSM

Parafraseando Peter Drucker, um dos pensadores da gestão com quem trabalhou, o palestrante do CONARH aponta o capital humano como o ativo mais importante da empresa. Isso, segundo ele, faz com que o RH tenha posição importante na construção do futuro. “O RH estratégico é aquele alinhado ao propósito da empresa, com seu presidente, afinal não se pode falar em estratégia sem ter as pessoas adequadas para fazê-la acontecer”, esclarece.

Empresas e profissionais do futuro

Nesse contexto de tecnologia exponencial, alcançar conhecimentos e ferramentas adequados para lidar com o futuro não é mais tarefa tão simples. Salibi explica que assim como a mentalidade e comportamento precisam mudar, a busca por solução também não deve seguir mais modelos tradicionais.

Para os profissionais, ele conta que não há mais uma fonte capaz de atender a todas as necessidades por evolução. “Boa parte das ferramentas presentes no mercado está em lugares mais dispersos. Então, baseado em suas necessidades, eles precisam buscar esses recursos por si mesmos em cursos e instituições mais independentes das escolas de negócio”, avalia.

Já para as organizações, Salibi insiste que a jornada de adaptação e competitividade na transformação digital não começa pela tecnologia. “Todas as empresas, sem exceção, têm atacado a tecnologia, procurando se digitalizar mais. O que precisa ser atacado, na verdade, é a cultura da empresa, que em muitos casos foi construída décadas atrás e que já não serve para se competir nesse mundo”, aconselha.

Assim como recomenda o executivo-chefe de inovação da Deloitte Global, Ragu Gurumurthy, Salibi orienta que as organizações invistam em talentos abertos ao aprendizado contínuo, para garantir a sustentabilidade do negócio. Ele explica que a postura organizacional está intimamente ligada ao modelo de negócio e que a falha em adaptar a maneira de se operar, as crenças e comportamentos em um mundo voltado ao conhecimento e à velocidade impedem a empresa de tirar proveito de todos os recursos tecnológicos disponíveis.

Falando aos congressistas do 45º CONARH em 14 de agosto, às 14h20, Salibi espera deixar claro que o sucesso na transformação digital de olho no futuro começa pelos profissionais certos. “Temos um caminho através das pessoas e da mudança da cultura. Ele tem tudo a ver com o propósito do evento de trazer o que há de melhor para a transformação das pessoas para que as empresas também possam mudar para competir durante os próximos anos. Vamos mostrar a diferença entre digitalização, transformação digital e o papel da cultura para que as companhias consigam fazer essa mudança antes que seja tarde”, encerra.

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