As 10 tendências de Capital Humano para 2018

Data 09/04/2018
pesquisa deloitte 2018_ Capital humano

As organizações estão sendo cada vez mais julgadas com base em suas relações com trabalhadores, clientes e comunidade, bem como seus impactos na sociedade em geral. Por isso, vivemos em um cenário de surgimento de empresas sociais. É o que aponta o relatório anual de tendências de Capital Humano, conduzido pela Deloitte.

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O estudo, que acontece desde 2014, ouviu mais de 11 mil executivos e líderes de RH para identificar as dez principais tendências globais de HCM no mundo. Quebrando paradigmas, 65% das empresas pesquisadas avaliaram o “crescimento inclusivo” como um dos seus três primeiros objetivos. Para 77%, “cidadania e impacto social” são críticos ou importante ao negócio; em contrapartida, o mesmo item foi classificado como a questão menos pronta na organização.

Segundo Josh Bersin, um dos autores da pesquisa, o maior desafio apontado é a não prontidão dos executivos que precisam lidar com esse novo mundo. “Se você pensar nas tendências que destacamos no estudo, cada uma delas não pode ser realizada sem uma abordagem multifuncional de toda a empresa. Portanto, a ideia de ter um único executivo C-level gerenciando várias áreas simplesmente não funciona”, escreveu em seu LinkedIn.

Confira abaixo quais são as 10 tendências de capital humano, segundo o relatório:

1- A sinfonia do corpo C-Level: equipes liderando equipes

A tendência mais urgente identificada no estudo foi a necessidade de os executivos C-Level operarem de maneira mais integrada. Diferentemente de hoje, em que CEO, CFO, CHRO e outros lideram apenas a sua área, o “C-Level sinfônico” é apontado como próximo estágio na evolução contínua dos modelos de liderança e vai preparar a organização para explorar oportunidades, gerenciar riscos e construir suas relações com stakeholders.

2- Dados pessoais: até que ponto é longe demais?

Nos últimos anos, uma grande quantidade de informações sobre pessoas foi gerada e isso trouxe benefícios para o RH e para a organização. Porém, agora, a forma de lidar com esses dados pode gerar potenciais riscos. Por isso, desenvolver um conjunto de políticas de segurança, transparência e comunicação em torno dos dados de pessoas é essencial para proteger funcionários, clientes e a reação social. A pesquisa mostrou a relevância de assumir a responsabilidade pelas informações de pessoas e apontou que isso está no topo das mentes dos líderes empresariais.

3- De carreiras a experiência: novos caminhos

O documento da Deloitte afirma que o indivíduo e suas experiências ocupam o centro do palco no cenário atual. Josh Bersin conta que as empresas agora entendem que seus modelos de carreira com uma “trajetória ascendente” são, muitas vezes, limitantes. “Por isso, as organizações querem criar estratégias para ‘facilitar a mobilidade de talentos’, entregando esperança às pessoas, novas habilidades e desenvolvimento contínuo”, afirma o especialista.

4- Bem-estar: uma estratégia e uma responsabilidade

Com a vida pessoal e o trabalho cada vez mais próximos, colaboradores exigem das organizações programas relacionados ao bem-estar físico, mental, financeiro e espiritual. Pensando nisso, mais de 50% dos entrevistados responderam que essas iniciativas são “valiosas” ou “altamente valiosas”. Essa é uma estratégia corporativa importante e deve ser mensurada com métricas de desempenho e produtividade, não apenas aquelas que reduzem o custo de seguro.

“Eu acho que esse tópico também cruza a fronteira entre cidadania e responsabilidade – se você não está construindo uma organização que ajuda as pessoas a se manterem saudáveis ​​e felizes, você não está cumprindo sua responsabilidade como empregador, e isso afeta sua marca”, Josh Bersin.

5- O local de trabalho hiperconectado: a produtividade reinará?

A todo momento, surgem novas ferramentas de comunicação. Dentro da análise, 67% dos respondentes observam o crescimento da mídia social baseada em trabalho e 62% um aumento de mensagens instantâneas. Mas, será que com isso a produtividade vai aumentar? Obviamente, o desafio das instituições é fazer com que sim, definindo práticas e regras para ajudar as pessoas a usar esses instrumentos da melhor forma possível e não se sobrecarregar com notícias inúteis.

6- Novas recompensas: personalizado, ágil e holístico

Na era em que as individualidades e a diversidade estão em alta, a tendência é para recompensas personalizadas, rápidas e holísticas. As empresas reconhecem que essa é uma necessidade para atrair, motivar e desenvolver talentos. Porém, apenas 8% consideram que seu programa é “muito eficaz” nesse propósito.

O setor de remuneração e benefícios compreende, muitas das vezes, o maior custo da organização. Mesmo assim, quando o questionamento foi se as estratégias da área estavam alinhadas às prioridades de negócios da empresa, somente 20% afirmaram que “sim”. Por isso, saber o que é realmente relevante para cada profissional é essencial.

“Essas são questões importantes, juntamente com o tema da justiça, equidade salarial entre gêneros e equidade salarial geracional, e se enquadram na categoria de ‘ser um bom cidadão’ e ‘concentrar-se na experiência do empregado’, e não apenas ‘ser competitivo no mercado’”, afirma Josh.

7- Cidadania e impacto social: a sociedade segura o espelho

“Quando olhamos no espelho da sociedade, gostamos do que vemos?”, essa é a pergunta vital para as organizações sociais e 77% dos entrevistados dizem que a cidadania é um tópico importante. Isso porque os sistemas agora operam de forma altamente transparente, já que qualquer desigualdade, maltrato ou ação negativa pode ser compartilhada de forma global em questões de minutos.

Outros dois fatores que aumentaram essa relevância é a expectativa dos millennials, que estão cada vez mais sensíveis aos temas de má distribuição de renda, fome e meio ambiente. E clientes que estão dispostos a pagarem mais e se fidelizarem às empresas socialmente responsáveis.

tendencias de capital humano foto

8- AI, robótica e automação: humanos no loop

Muito já se falou sobre essa tendência. É fato que os negócios estão sendo impactados pela Inteligência Artificial (AI) e pela automação de processos. O momento é de redefinir habilidades e carreiras da força de trabalho humana. Nessa edição da pesquisa, 42% dos entrevistados acreditam que AI será amplamente implantado em suas organizações dentro de cinco anos, acima dos 38% do ano passado.

O estudo destaca a rapidez com que as empresas despertaram para essa tendência e como elas entendem o assunto. Importante ressaltar que AI depende de dados, portanto, para que as empresas tenham ótimas soluções cognitivas para clientes ou operações internas, deve existir um forte foco em dados de qualidade.

9- O dividendo da longevidade: trabalhe em uma era de 100 anos de vida

Hoje, vivemos em um mundo que valoriza muito os jovens, mas a taxa de natalidade vem caindo e as pessoas estão vivendo mais e, consequentemente, trabalhando por mais tempo. Por isso, organizações voltadas para o futuro já enxergam essa longevidade e envelhecimento da população como uma oportunidade. Na pesquisa Tendências Globais de Capital Humano, 29% avaliaram a longevidade como questão muito importante e 40% como importante.

10- O ecossistema da força de trabalho: gerenciando além da empresa

Por fim, a última tendência observada pela Deloitte diz respeito a alteração na força de trabalho e na relação entre empregador e funcionário. Home office, freelancers, contratos temporários, expediente alternativo e outras práticas estão cada vez mais comuns.

A questão é que para essas equipes ainda existe pouca estratégia de talentos consistente. A pesquisa relatou que apenas 29% das empresas consideram esses funcionários dentro de sua cultura e 32% acompanham a qualidade desse trabalho para o capital humano da organização.

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Com informações da pesquisa Tendências de Capital Humano 2018 publicada pela Deloitte.