Como empresas e universidades podem se unir para vencer o apagão de talentos?

Data 05/09/2012

LG: Atualmente, fala-se muito em apagão de talentos. Para você, quais os principais desafios enfrentados pelos recrutadores?

Adriana:
Para os profissionais ligados à tarefa de recrutar, o grande desafio é encontrar meios ou formas de captar pessoas que atendam às características da empresa. É importante que o recrutador observe a cultura, os valores e tudo o que diz respeito à localização onde está inserida a empresa, para então, decidir o que fará para atrair os candidatos. Depois de entender alguns aspectos culturais, é hora de agir de acordo com sua percepção.

LG: Você é professora universitária e, por isso, está em contato com o dia a dia acadêmico e conhece as necessidades do mercado. Com base em sua experiência, você acredita que o conhecimento adquirido nas universidades é suficiente para formar bons recrutadores?

Adriana: Como professora, faço um esforço para que os alunos tenham um maior número de informações a respeito do processo de recrutar. Procuro trazer situações vividas como profissional de Recursos Humanos para compartilhar minhas experiências com eles. Sei que isso não garantirá o sucesso do processo, mas os ajudarão a visualizar as possíveis alternativas na captação dos candidatos.

LG: Quais seriam investimentos necessários para que as universidades possam se adequar a um ensino com foco no mercado de trabalho?


Adriana:
Estreitar os laços com as organizações para entender o movimento dos profissionais. Atualizar os conteúdos, considerando que o meio organizacional é dinâmico e rápido. Criar mais oportunidades de visitas, palestras e estágios é uma boa saída para as instituições de ensino.

LG: Existe preconceito por parte dos recrutadores com candidatos formados em cursos de Educação a Distância? Se sim, por quê?

Adriana: Sim, acredito que ainda há resistência por parte dos recrutadores e das empresas em contratar pessoas formadas neste sistema, por considerar a qualidade do ensino a distância inferior à educação presencial. Também tenho certeza de que, em pouco tempo, isso fará parte do cotidiano dos profissionais. Será necessário que o recrutador mude sua postura diante dos fatos. Avaliar o nível de conhecimento do candidato e a capacidade de aplicação dessas informações garantirá um processo seletivo assertivo às necessidades da empresa.

LG: Levantamentos recentes feito pela escola de negócios Anderson, da Universidade da Califórnia (UCLA), e da Universidade do Estado de Nova York, em Stony Brook, apontaram preconceito de recrutadores com desempregados. Mesmo nos casos em que os candidatos à vaga tinham as mesmas competências, aqueles que estavam empregados possuíam chance maior de contratação. Você acredita que estar desempregado pesa no momento da seleção?

Adriana: Sim, é possível que, aos olhos do recrutador, o profissional que fique muito tempo fora do mercado, possa distanciar-se do mundo do trabalho. Isso pode ser verdadeiro, mas nem sempre, pois os meios de comunicação (revista, jornal, TV, etc.) oportunizam atualização ao desempregado que, por vezes, está nesta condição por opção.

LG: Em sua opinião, como as empresas e as universidades podem se preparar para superar os reflexos do apagão de talentos?

Adriana: Uma boa iniciativa praticada pelas empresas é criar sua própria escola para formar e qualificar candidatos ou funcionários em atividades específicas e técnicas, como a de costureira. Há também as Universidades Corporativas que qualificam seus funcionários para atuarem eficazmente na organização.O papel das universidades é se preparar rapidamente para acompanhar as necessidades do mercado de trabalho.

LG: Muitas empresas afirmam que a educação tradicional não formam as pessoas como elas precisam e, por isso, investem na educação corporativa. Você acredita que essa seja uma tendência para os próximos anos? Qual sua opinião sobre esse ensino oferecido pelas organizações?

Adriana: Minha percepção é que as organizações oportunizam qualificação para seus funcionários e continuarão a fazê-lo, por considerar que essa educação será focada nas necessidades da organização e, principalmente, no atingimento dos resultados que a empresa deseja alcançar. Não acredito que a educação tradicional deixará de ter sua importância, porque ela é e será sempre um elo que levará a evolução do ser humano. A educação tradicional e aquela oportunizada na organização devem trabalhar unidas para melhor qualificar os profissionais em busca da sobrevivência da organização.

Como empresas e universidades podem se unir para vencer o apagão de talentos?
Adriana Treichel é formada em Psicologia, com 20 anos de atuação em Recursos Humanos. Ela também é professora de pós-graduação desde 2002, no Grupo Uniasselvi, tendo atuado em cursos técnicos no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e Centro de Educação Profissional (Cedup).

Comentários