Gestão da performance: uma carta na manga

Data 04/01/2016

Em entrevista à Huma, o Professor da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA-USP), José Hipólito, relata como o investimento em gestão da performance pode trazer resultados significativos para as empresas. 

Gestão da performance: uma carta na manga

Huma: Como a gestão de talentos bem-feita, focada no desempenho dos colaboradores, pode ajudar na diminuição dos custos de uma empresa?

José Hipólito: Nós sabemos que um dos principais custos de uma organização é com o salário dos seus funcionários. Às vezes, as empresas acham que pagando mais elas conseguirão manter as pessoas mais motivadas e, na verdade, esse é um ponto que precisa ser analisado com cuidado. 

Desenvolvendo a gestão de desempenho, conseguimos reter as pessoas sem necessariamente remunerá-las. Mas para isso, a organização tem que transmitir o real significado do trabalho em equipe. As pessoas precisam estar em diálogo constante. Nesse sentido, a possiblidade de troca de informações com o gestor é um dos elementos que interfere na capacidade da organização de segurar esses talentos sem pressionar sua estrutura de custo. 
 
Huma: Você acredita que esse momento de crise pode mobilizar as empresas a investir mais em liderança? 

José Hipólito: Eu creio que sim. Acredito que em um período de crise, o gestor não deveria fazer nada muito diferente do que ele faz no período de bons resultados. A questão é que no tempo de bons resultados, muitas vezes, não estamos atentos à economia e aos detalhes. Por isso, esse momento é um convite para os gestores avaliarem a gestão da performance com um pouco mais de atenção. É realmente uma oportunidade para as organizações verem se estão cuidando bem da gestão de custos e desempenho da sua empresa. 

Huma: A gestão da performance pode trazer que tipos de resultados para as empresas?

José Hipólito: Quando temos um gestão de desempenho, desenvolvemos a base para o diálogo. A organização passa a se comunicar com os colaboradores de maneira mais clara, assertiva e uniforme. Primeiramente, porque permite as pessoas entenderem melhor como a empresa funciona. Em segundo, o gestor passa a ser enxergado como uma pessoa que ajuda no processo, na busca por resultados e na alta gestão de desempenho. A consequência disso é o aumento da capacidade de retenção e desenvolvimento das pessoas, pois elas vão sendo cobradas de forma mais clara. E, finalmente, a gestão da performance resulta em aumento de produtividade e desempenho da própria organização. 

Huma: Quais são os fatores de sucesso na gestão de talentos e gestão da performance das organizações? 

José Hipólito: Sempre que começamos um trabalho de suporte à gestão de desempenho, processos de avaliação de carreira e desenvolvimento profissional, nós comentamos que tem dois aspectos que são fatores críticos de sucesso. Um deles é a comunicação, devemos saber envolver os gestores e eles precisam conduzir a sua equipe. E o segundo fator que sempre ressaltamos é ter uma boa estrutura de TI que dê suporte nesse processo. Afinal, não adianta falar de gestão de desempenho, de transparência e modernidade se você não consegue, por exemplo, puxar um relatório e identificar quais são os pontos fortese quais as necessidades específicas de desenvolvimento dentro da sua empresa. Então, para que a gestão de desempenho flua, as informações devem estar disponíveis para os gestores e isso só é possível com boas soluções de tecnologia. 

José Hipólito é Bacharel, Mestre e Doutor em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo. Sócio da empresa de consultoria Growth Desenvolvimento de Pessoas e Organizações e Pesquisador da Fundação Instituto de Administração – FIA.

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