Quanto vale a aparência no processo seletivo?

Data 28/08/2012

Você já parou para pensar que a beleza pode ser um fator levado em consideração por recrutadores na hora de contratar um profissional? Pesquisadores da Universidade de Ben-Gurion e do Ariel University Center, em Israel, apontaram que homens bem aparentados têm 50% mais chance de serem chamados para uma entrevista do que aqueles considerados de aparência comum. Mas quando chega a vez das mulheres bonitas, a beleza não ajuda em nada. Muito pelo contrário, atrapalha. Dados do estudo mostram que as garotas arrasa-quarteirão podem ter até 30% menos chances de passar da fase de triagem de currículos em um processo seletivo.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram o seguinte experimento: enviaram pares de currículos com conteúdo semelhante para cerca de 2,5 mil oportunidades de emprego. Um dos CVs era enviado com a foto de uma pessoa muito bonita e o outro seguia com a imagem de alguém de aparência comum.

Rivalidade feminina – Insatisfeitos em apenas constatar que a beleza foi vantajosa para os homens e prejudicial para as mulheres, a dupla de estudiosos israelenses decidiu investigar quem eram os profissionais que haviam recebido os currículos fictícios. O resultado é bastante curioso: mais de 95% das equipes de Recursos Humanos era composta por mulheres de 23 a 34 anos, sendo que 63% delas eram solteiras. Mas afinal, será que a rivalidade feminina pode interferir nas contratações de uma empresa?

A psicóloga clínica Maria Luísa Dib afirma que, inconsciente, as mulheres podem ter receito de empregar mulheres fisicamente superiores a elas. “É possível supor que, de alguma maneira, contratar essas profissionais signifique uma rivalização tanto no cargo quanto no relacionamento interpessoal no ambiente corporativo”, afirma.

Outro aspecto apontado pela psicóloga é um preconceito social de que mulheres bonitas talvez não sejam tão competentes. Por outro lado, os homens mais bonitos denotam competência, força e superioridade, se comparados aos colegas menos favorecidos pela estética.  “Esse tipo de pensamento vem de uma herança cultural machista que, infelizmente, ainda está presente na sociedade”, explica Dib.

Sob protesto – Para Mônica Paiva, diretora de recursos humanos da área de tecnologia da Radix, no entanto, é impensável que um selecionador leve em consideração os atributos físicos de um candidato ao decidir se irá chamá-lo ou não para uma entrevista. Mônica diz que cuidados com a vestimenta e a higiene podem, sim, ser avaliados em etapas presencias da seleção, mas nunca a beleza. A diretora de recursos humanos explica que um recrutador sério deve ser treinado para, ao avaliar um candidato, ser capaz de deixar seus próprios preconceitos e problemas pessoais de lado. “Isso se chama adiar o julgamento. O profissional de recursos humanos deve ser o mais neutro possível. Seu trabalho é julgar o entrevistado por suas competências e atitudes”, diz.

 
*Essa notícia foi publicada no site Click Carreira, em 23/08/2012